As Stablecoins Algorítmicas Morreram? Uma Análise Completa da Ruína do Terra
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As Stablecoins Algorítmicas Morreram? Uma Análise Completa da Ruína do Terra

11m
8 months ago

Alexandria da CoinMarketCap analisa a ascensão e queda das stablecoins algorítmicas – e o que o futuro reserva para esse modelo de stablecoin.

As Stablecoins Algorítmicas Morreram? Uma Análise Completa da Ruína do Terra

Índice

A busca por estabilidade no blockchain causou o surgimento de uma grande variedade de modelos de stablecoins - cada um deles com seus prós e contras. Embora as stablecoins apoiadas em fiat continuem a ser as mais dominantes, uma nova onda de stablecoins algorítmicas surgiu nos últimos anos, todas prometendo um ativo mais descentralizado e com preço estável.
Como ativos estabilizados algoritmicamente, as stablecoins algorítmicas são diferentes das stablecoins comuns apoiadas em ativos, pois geralmente se baseiam em algoritmos, teoria de jogos e incentivos econômicos para manter sua indexação. Isso significa que eles não precisam depender de emissores e tesourarias centralizados para manter seu valor, mas também os deixa potencialmente vulneráveis a ataques econômicos - tornando mais fácil perder a indexação.

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A Ascensão das Stablecoins Algorítmicas

A indústria de criptomoedas busca sempre uma maior descentralização, com isso, as stablecoins são uma peça importante na busca do sistema totalmente descentralizado, uma vez que quase todas as stablecoins populares dependem de emissores centralizados que possuem reservas em fiat.

Alguns argumentam que isso representa um risco sistêmico para a indústria de criptomoedas como um todo, uma vez que as stablecoins são responsáveis por mais da metade de todo o volume de negociação de criptomoedas e são cruciais para a estabilidade do setor.

As stablecoins algorítmicas prometem incontáveis benefícios sobre as típicas stablecoins baseadas em fiat, incluindo serem totalmente descentralizadas. Como estas moedas não dependem de empresas tradicionais e não exigem uma ligação direta com a moeda fiat, isto pode torná-las mais difíceis de serem derrubadas, reguladas ou apreendidas. Elas também são muito mais rápidas para inicializar e escalar, já que qualquer equipe com uma ideia, recursos mínimos e garantia pode construir e implantar um token algorítmico estabilizado em poucos dias.

Como as criptomoedas estabilizadas algoritmicamente são completamente on-chain, elas também podem ser consideradas mais transparentes do que stablecoins baseadas em fiat, uma vez que apenas algumas delas publicam auditorias confiáveis de suas reservas e com pouca frequência.
No entanto, apesar desses benefícios óbvios, as stablecoins algorítmicas só começaram a ganhar atenção com o lançamento da TerraUSD (UST) - uma stablecoin pareada ao dólar para o blockchain Terra. O blockchain, junto com a plataforma descentralizada de economia, conhecida como Anchor Protocol (que forneceu um APY fixo de 20%), se tornou incrivelmente popular, com sua adoção explodindo entre março de 2021 e maio de 2022
No momento, existe uma lista crescente de stablecoins algorítmicas disponíveis nas plataformas mais populares de contrato inteligente, embora a maioria ainda seja relativamente obscura e pouco adotada.

A Queda das Stablecoins Algorítmicas

Ao contrário das stablecoins típicas baseadas em fiat, que geralmente podem ser resgatadas a uma proporção de 1:1 para fiat mantido em reservas, as stablecoins algorítmicas não são respaldadas diretamente por um ativo com preço estável.

Em vez disso, eles podem variar bastante no mecanismo que usam para alcançar a estabilidade. Embora isso possa funcionar relativamente bem em alguns casos, outras vezes é uma bomba-relógio esperando para explodir.

A maioria das stablecoins algorítmicas depende de mecanismos de arbitragem para manter a estabilidade, elas geralmente dependem de um token secundário volátil em algum ponto da sua indexação. Se este token secundário se tornar extremamente indesejável ou tiver forte pressão de venda, todo o sistema pode sofrer como consequência.

Isto deixou muitas stablecoins algorítmicas vulneráveis a eventos de cisne negro ou manipulação intencional de mercado. Ambos podem afetar a indexação da stablecoin e, em alguns casos, derrubá-la completamente.

O Caso do TerraUSD

TerraUSD (UST) é uma stablecoin algorítmica projetada para manter sua indexação através da atividade de arbitragem on-chain.

Através da carteira da Terra Station, os usuários são capazes de trocar 1 UST por US$1 de LUNA a qualquer momento. Teoricamente, se a UST ficar abaixo de US$1, os usuários podem simplesmente trocá-la por US$1 da LUNA, que eles podem então vender por US$1. Enquanto isso, a oferta de UST contrai e a demanda pelo token nas corretoras secundárias aumenta, à medida que os usuários aproveitam a oportunidade de arbitragem - elevando o valor de UST de volta para US$1.

Entretanto, este sistema foi posto à prova em maio de 2021, quando o TerraUSD passou por um dos piores desvios de sua indexação de sua curta história - colapsando de US$ 1 a US$ 0,96 em uma semana. Embora o UST tenha eventualmente voltado à sua indexação, este evento trouxe preocupações de que seu modelo econômico não fosse viável a longo prazo, particularmente, se a capitalização de mercado de UST excedesse o da LUNA ou se ocorresse uma grande liquidação em cascata - causando um colapso.

No intuito de abordar as preocupações trazidas e fornecer um limite ao preço de UST, a empresa sem fins lucrativos conhecida como Luna Foundation Guard (LFG) acumulou US$ 3,5 bilhões em reservas de vários ativos voláteis (incluindo BTC e AVAX). Mas estes fundos foram insuficientes para deter uma série cataclísmica de liquidações que, em maio de 2022, resultou na queda do preço de UST de US$ 1 para apenas US$ 0,044. Enquanto isso, a LUNA viu seu valor cair de mais de US$ 80 para apenas uma pequena fração de um centavo, elevando seu fornecimento em circulação.
Este evento também mostrou falhas no seu mecanismo de arbitragem, com um limite máximo diário e o aumento gradual da slippage tornando impossível a troca efetiva de 1 UST por 1 dólar de LUNA. Sem mencionar o fato de haver um spread significativo entre o preço do oracle e o valor real na corretora.
Este evento repercutiu em toda DeFi e no espaço das stablecoin, afetando diversos protocolos baseados no Terra, e até mesmo causando o colapso de USDX - Kava Labs - construído em stablecoins parcialmente garantidas em UST. A stablecoin atingiu seu valor mais baixo de todos os tempos de US$0,45 e ainda está sendo negociada significativamente abaixo da indexação. Da mesma forma, a stablecoin algorítmica do Deus Finance's DEI já está fora do ar há mais de uma semana.
Nos últimos estágios do colapso da UST, alegações também surgiram de que Do Kwon estava por trás de outra stablecoin algorítmica que teria falhado, conhecido como Basis Cash, que caiu no esquecimento dentro de semanas após o lançamento.

É consenso comum que a stablecoin UST está além da recuperação, e será conhecida como um dos maiores erros na história das criptomoedas - mesmo chamando a atenção dos legisladores americanos, devido a seu potencial de causar danos econômicos. O UST é agora, de longe, o maior fracasso em projetos stablecoins e servirá como um exemplo do que não se deve fazer em iniciativas futuras.

A Saga Terra: Análise Pós

Terra demonstra a fragilidade de algumas economias baseadas em blockchain e serve como uma história para advertir desenvolvedores que procuram enfrentar a oportunidade/problema de stablecoin algorítmica, bem como usuários que optam por usar essas moedas em vez de opções mais tradicionais apoiadas por fiat.

Agora, mais de uma semana após seu colapso, fica claro que o Terra, como era conhecido, não poderá ser recuperado, e o que emergir dos escombros será construído entre várias obrigações.

Apesar dos relatórios iniciais de que a empresa de investimentos GAM, com sede em Zurique, havia organizado um pacote de resgate de US$ 3 bilhões para o Terra, isso se comprovou falso

“A história não é verdadeira e a GAM não emitiu um comunicado para a imprensa. A GAM tem controles rígidos sobre a divulgação de comunicados à imprensa, e estamos investigando a fonte dessa história e como ela foi publicada”, disse a GAM em um comunicado de imprensa recente.
Em vez disso, a plataforma precisará completar um hard fork, essencialmente, separando um novo blockchain da cadeia Terra original em um bloco específico, renomeando a antiga cadeia [colapsada] como Terra Classic enquanto a nova cadeia continuará como a cadeia principal (simplesmente chamada Terra). Isto é semelhante ao que aconteceu ao Ethereum em julho de 2016 depois que o famigerado Hack DAO dividiu a comunidade Ethereum, levando a um fork que resultou em duas cadeiras - Ethereum Classic (o Ethereum original) e Ethereum.

De acordo com tweets recentes, o fundador do Terra, Do Kwon, e a maioria dos validadores da rede está confiante de que a nova cadeia Terra 2.0 será capaz de manter o apoio do ecossistema e da comunidade de desenvolvedores, ao mesmo tempo em que fornece uma rota viável para a recuperação.

Atualmente, não está claro se a nova cadeia manterá a função de queima e emissão de LUNA - que foi usada para fomentar sua stablecoin UST.

A nova proposta LUNA Go Forward foi projetada para incentivar os desenvolvedores e incentivar o maior número possível de membros da comunidade. Ela incluirá um airdrop de novos tokens LUNA para os stakers de Luna Classic, holders de Luna Classic, holders residuais de UST e desenvolvedores dos aplicativos. Uma grande parte do fornecimento do novo LUNA será reservada para programas de alinhamento de desenvolvedores e mineração.

A distribuição completa do tokens será:

  • Pool da Comunidade: 25%
  • Controlado pela governança em stake
  • 10% destinados aos desenvolvedores
  • Holders de LUNA pré-ataque: 35%
  • Todas as Lunas vinculadas / não vinculadas, menos TFL no snapshot "Pré-ataque"; incluindo derivativos em stake
  • Para carteiras com < 1M Luna: 1 ano de cliff, 2 anos de vesting
  • Para carteiras com > 1M Luna: 1 ano de cliff, 4 anos de vesting
  • Holders pré-ataque de aUST: 10%
  • Limite de baleia de 500K - cobre até 99,7% de todos os holders, mas apenas 26,72% da aUST
  • 15% desbloqueado no gênese; 85% investido em 2 anos, com 6 meses de cliff
  • Holders de LUNA no pós-ataque: 10%
  • Incluindo derivativos em staking
  • 15% desbloqueado no gênese; 85% investido em 2 anos, com 6 meses de cliff
  • Holders de UST pós-ataque: 20%
  • 15% desbloqueado no gênese; 85% investido em 2 anos, com 6 meses de cliff

Apesar da falta de transparência durante o acidente original da LUNA/UST, parece que agora a Luna Foundation Guard queimou a maior parte de suas reservas em uma tentativa de defender a indexação do UST. De acordo com sua última atualização, a organização sem fins lucrativos gastou mais de 80.000 BTC, 26 milhões de USDT e 23,5 milhões de USDC em sua estratégia fracassada para restaurar o índice. Suas reservas agora constituem apenas uma pequena fração do que eram há uma semana.

Em uma nota mais obscura, já houve diversos suicídios supostamente como resultado do colapso do Terra, e centenas de milhares de investidores ficaram devastados. Apesar disso, as criptomoedas originais LUNA e UST ainda podem ser negociadas em uma grande variedade de plataformas de corretoras, embora a maioria das plataformas de negociação de derivativos tenha encerrado os contratos futuros para esses ativos.

Após a queda do Terra, o fundador Do Kwon foi alvo de algumas ameaças legais, e o Serviço Fiscal sul-coreano apresentou para ele e para Terraform Labs uma multa tributária de US$ 78,4 milhões por supostamente sonegar impostos. A notícia vem junto com relatos de que três membros da equipe jurídica do Terraform Labs deixaram a empresa — possivelmente devido à confusão legal em que a empresa se encontra.

As coisas continuam a ir de mal a pior para Kwon, que apesar de ter um número considerável de seguidores nas mídias sociais, é agora regularmente desacreditado pelos líderes da indústria e pela comunidade LUNA em geral.

Como Estão as Outras Stablecoins Algorítmicas?

Embora o TerraUSD seja de longe a stablecoin algorítmica mais conhecida, ele é, na verdade, parte de um setor maior, formado por uma pequena variedade de projetos ideologicamente semelhantes. Todos estes projetos tentam fornecer uma unidade de valor estável, sem recorrer à garantia em fiat.

Embora alguns acreditem que estas soluções são estruturalmente frágeis e são apenas uma catástrofe esperando acontecer, uma pequena parcela das stablecoins algorítmicas provou ser notavelmente resistente.

Uma das mais proeminentes é NeutrinoUSD (USDN), uma stablecoin baseada em Waves que é garantida por tokens WAVES. Como o UST, a USDN tem um fornecimento ajustável que pode ser expandido ou contraído com base na demanda. Para emitir USDN, os usuários precisam bloquear os tokens WAVES com valor significativamente maior do que o USDN que desejam receber e devem devolver seu USDN para recuperar seus WAVES em garantia.

No último mês, o token se desviou significativamente de sua indexação em duas ocasiões, ficando abaixo de 80 centavos em ambas as oportunidades, antes de se recuperar bruscamente, demonstrando que seu mecanismo de restauração de indexação é capaz de lidar com desvios elevados.

Outros empreendimentos de stablecoins algorítmicas indiscutivelmente mais ousados falharam claramente. Isso inclui uma série de chamados tokens de rebase, que inflacionam ou contraem o fornecimento com base em desvios positivos ou negativos do índice, para ajudar a estabilizar seu valor. De longe, o mais conhecido deles é o Ampleforth, que tentou usar um mecanismo de rebase para manter o preço da AMPL no poder de compra do dólar de 2019.

Desde seu lançamento, há mais de um ano, o preço da AMPL tem sido tudo menos estável, chegando a bater US$ 4,04 e US$0,29. Uma variedade de outros tokens de rebase com um fornecimento elástico também falharam em notoriedade ou em manter o índice.

O Futuro do Modelo de Stablecoins Algorítmicas

O recente fiasco em torno do TerraUSD não só aumentou o escrutínio sobre o ecossistema de stablecoin, mas também sobre o cenário das criptomoedas como um todo, levando os legisladores a aumentar a supervisão regulatória da indústria. Isso pode trazer consequências importantes.

Este é um desenvolvimento bem-vindo para aqueles que acreditam que a regulamentação aumentará a segurança e a confiança em stablecoins e, portanto, beneficiará o ecossistema geral das criptomoedas. Mas outros acreditam que isto abre as comportas para uma repressão regulatória, o que poderia reduzir a concorrência e aumentar a centralização.

Seja qual for o caso, na sua forma atual, o nicho de stablecoins algorítmicas ainda contém vários candidatos potencialmente viáveis, com a maioria já experimentado a perda da indexação. Por causa disso, a indústria ainda está longe de estar morta. Há até mesmo sinais precoces de que o agora, muito mal alinhado, Terra e sua stablecoin associada, UST, estão se preparando para um retorno.

No entanto, com a recém-lançada stablecoins USDD, do TRON, com APY de 30%, chamada de "sem risco", que agora está ganhando força, alguns acreditam que a história irá se repetir para todas as stablecoins algorítmicas- que podem não ser viáveis, não importa a configuração.
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